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Notícias V.C.L. Entrevistas a sócios
Mário Rosa, o vespista da Guérin

Segunda-Feira, 18 de agosto de 2014, às 15:22
1032 leituras | Sem comentários | Por Pedro Estevão


Transcrição da entrevista que deu recentemente por ocasião dos 60 anos do Vespa Clube de Lisboa, onde é um dos sócios mais antigos.


Foi um dos mais exímios vendedores da Guérin, quando esta era uma das maiores empresas dedicadas ao comércio de marcas como a Volkswagen ou a Vespa. E foi com esta última, a Vespa, que Mário Rosa viveu grande parte da sua vida, com altos e baixos.

Mário Rosa e João Máximo

Vespa Clube de Lisboa (VCL)
Como começou a sua ligação ao Vespa Clube de Lisboa?

Mário Rosa (MR)
É um bocado difícil falar disso, uma vez que comecei a trabalhar aos 14 anos. Não fui sócio-fundador do clube porque ainda não tinha idade. Quando fiz finalmente 18 anos tirei a carta de condução e comprei uma Vespa. Foi nessa altura que me fiz sócio do Vespa Clube. Conheço Portugal, Espanha e França em cima de uma Vespa e foi uma máquina que nunca me deixou mal. Fui e vim sempre sem problemas de maior.

O vício da Vespa começou graças a dois sócios do VCL: um deu-me uma Vespa e dei por mim a pensar: eu moro num 4º andar em Lisboa e não posso ter uma Vespa destas. No entanto, como tinha uma casa na província, comecei a coleccionar Vespas. Hoje em dia tenho 20 Vespas. Não são máquinas para vender, pois são modelos raros. Tenho uma 125 de balon rasgado de 1952, que ainda não tinha sido vendida pela Guérin. O importador na altura era uma empresa situada na Avenida da Liberdade, que era o mesmo importador da BMW. Depois desta Vespa comprei uma Vespa 150 GS toda desarmada da primeira série. As Vespas têm geralmente os cabos todos metidos dentro da carcaça, mas esta tem os cabos por fora. Fiquei há pouco tempo a saber que existem somente quatro exemplares destes no mundo. Tenho igualmente uma 150 que foi a primeira Vespa em Portugal a ser autorizada a usar sidecar. Como trabalhei na Guérin, na altura foram importados cerca de 10 sidecars, mas só se venderam dois na altura. Claro que hoje, quero arranjar um sidecar para aquela Vespa e não consigo.


VCL
O que a Guérin fez aos outros sidecars?

MR
Não sei o que foi feito deles. A Guérin acabou e todo o património deles foi desaparecendo, sendo que muito material desse seria hoje em dia bastante útil para a Piaggio. Se por exemplo, se se quiser homologar um modelo antigo e se vier à Piaggio, a Piaggio não tem elementos suficientes para efectuar a devida homologação.


VCL
Como era o espírito do Vespa Clube de Lisboa nessa altura?

MR
Há uma coisa que noto em relação a esta juventude que está aqui e não só. Naquela época tínhamos uma disciplina a andar na estrada que não encontro nos vespistas que aqui estão. Organizei muitos passeios do VCL e andávamos na estrada em grupos de 10 máquinas e deixávamos entre os grupos um espaço de 100 metros. Na altura, até a GNR nos respeitava. Lembro-me de eventos em que íamos para a estrada e era a GNR que fazia parar o transito para passarmos. Tínhamos até um lema muito engraçado: "antes quebrar a cabeça do que partir o guiador." Eu parti a cabeça, mas nunca parti o guiador.


VCL
Como era o panorama vespista no seu tempo?

MR
No meu tempo havia apenas o Vespa Clube de Lisboa que era também Vespa Clube de Portugal. Hoje em dia existem Vespas Clubes em todo o lado. Não quero dizer que fui pioneiro nesse campo, mas na minha zona hoje existem clubes como o de Alpiarça, Almeirim, Santarém, etc.

É interessante haver uma união ao redor da Vespa, já que isto resulta num convívio que não vejo em mais lado nenhum. Há os motociclistas, há os grandes motões e depois há os vespistas...

Os grandes passeios do Vespa Clube de Lisboa.


VCL
E grandes passeios que tenha feito?

MR
Fiz inúmeros passeios, já que ia a todos os que estavam agendados no calendário. Um deles foi às termas dos Cucos, em Torres Vedras, que foi um dos primeiros passeios do VCL. Tenho um álbum fotográfico com 346 fotografias, desde os meus 14 anos e gostava de endereçar essas imagens ao VCL. Tenho também muitos outros artigos relacionados com a Vespa, como por exemplo, uma bandeira da Piaggio com cerca de 10 metros, para além de revistas, livros técnicos etc.


VCL
De todos os passeios que fez como VCL, qual o que o marcou mais?

MR
Quando fui secretário do clube, organizávamos um passeio a Tavira, já que um dos sócios era gerente do Oura Hotel. Isto deve ter sido por volta de 1988, mais coisa menos coisa. Dormíamos no aldeamento turístico, com os casados nuns apartamentos, os homens solteiros noutros e as senhoras solteiras, em outras acomodações. Chegámos a ter nesses encontros em Tavira com 300 Vespas, sendo que muito pessoal vinha do Porto em Vespas 50 até ao VCL. Chegavam à sede por volta da meia-noite de 6ªf, para arrancar na manhã seguinte rumo ao Algarve e à 14.30 estávamos todos a almoçar em Tavira. No domingo, almoçávamos e regressávamos, uns para Lisboa e outros para o Porto. Nestes 600 quilómetros para "baixo" e outros tantos para "cima" nunca ninguém ficou pelo caminho.


VCL
Qual a história mais hilariante ao longo destes seus anos como sócio do VCL?

MR
Tenho uma engraçada, que aconteceu quando fomos à Figueira da Foz. Ele estava com pressa mas dizia que queria ir para a Marinha Grande. Como tínhamos almoçado bem e ele tinha regado um bocadinho...

Chegou-se ao pé de mim e disse-me que tinha que ir para a Marinha Mercante. Respondi-lhe que ali não havia barcos. Mas como ele insistiu que essa "Marinha Mercante" era ali para os lados de Leiria, lá se fez luz.

Outra estória passou-se com um sócio que não era muito abonado financeiramente. Um dia fomos a um passeio e ele levou na mala uns ovos cozidos porque tinha que comer de hora em hora. No entanto, por entre os ovos cozidos, havia um que estava cru. Chegou à Vespa, tirou o ovo do porta-luvas e partiu-o no balon fazendo uma enorme gemada. Esse mesmo rapaz, como não tinha muito dinheiro, agarrava nas garrafas de cerveja vazias, enchia-as com gasolina e andava com a mala cheia de gasolina. De 3,3 cl em 3,3cl lá tinha ele de parar para abastecer a sua Vespa... Ou seja, quando havia passeios maiores, ele aparecia passado uma hora ou duas.


VCL
Teve algum problema assim maior com alguma das suas Vespas?

MR
O único problema que tive foi quando em 1996 fui ao Euro Vespa a Sanremo, em Itália. Éramos três Vespas e cinco pessoas. Cheguei a Sanremo e parti um cabo de embraiagem depois de termos percorrido 3000 quilómetros. Nunca tinha partido um cabo de embraiagem numa Vespa e lá fui à procura de uma oficina que me arranjasse aquilo. O italiano foi buscar o cabo, meteu uma graxa especial e a T5 ficou perfeita. Desde então, a T5 ainda anda com esse cabo. Pergunto a mim mesmo, que raio de graxa ele pôs para que o cabo nunca mais se partisse...


VCL
Gosta mesmo da T5...

MR
Sim, é verdade. A que tenho ainda para mais é especial, já que foi a Guérin que encomendou as T5 a Itália. A primeira série deste modelo não tinha motor de arranque eléctrico. Foi à inspecção para ser homologada e passou. Quando se fez nova encomenda, esta nova remessa já veio com motor de arranque. Naturalmente que as Vespas com motor de arranque eram muito mais fáceis de vender, mas aquela que estava lá a um canto, ninguém andava com ela. Quem lhe pegou foi o Jorge Fragoso num Transalgarve em 1988, sendo que curiosamente essa máquina hoje é minha. Na altura a T5 custava 170 contos e um litro de gasolina custava 4 escudos e 30 centavos. Com mistura, o litro já era a 4 escudos e 80 centavos.


Uma carreira desportiva vivida ao máximo

Para além da sua faceta de vendedor da marca Vespa no império que era a Guérin na altura, Mário Rosa teve igualmente uma carreira desportiva bastante recheada e vivida, como nos conta a próprio.

"Estive presente nas corridas de inauguração da pista de ciclismo do Estádio de Alvalade, onde tive um acidente no qual não fui culpado. Na altura fui inscrito pelo Vespa Clube com uma Vespa 160 GS preparada por mim. Entrei para ganhar, já que nos treinos tinha conseguido a melhor marca e assinado o recorde nacional de scooters. Como a máquina estava cheio de compressão, fui o ultimo a arrancar, mas passadas três voltas já era segundo classificado. Quando fui tentar roubar a liderança ao primeiro, ele fez uma manobra tal que bati com o guarda-lamas da minha GS na traseira da scooter dele. Fiz meio estádio no ar e fui parar à linha de meio-campo. Levantei-me meio atordoado, com a Vespa a trabalhar no meio da pista, fui a correr para a scooter (os outros concorrentes tinham quase duas voltas de atraso), veio o terceiro classificado que me acertou em cheio da cabeça [NDR: segundo relatos ouvidos esse concorrente era o conhecido Faísca, um outro sócio do VCL, falecido há cerca de dois anos]. Fiquei em coma três dias. Quando recuperei, apareceu o Carlos Dionísio e a minha mãe.

Na altura em que corria, tinha um capacete de alumínio. No entanto, na semana anterior à corrida em Alvalade, tinha ido a uma fábrica que havia no Barreiro que fazia capacetes em cortiça por dentro, apesar de serem plastificados por fora. Se tivesse levado o capacete de alumínio, certamente não estaria aqui a contar estas peripécias, isso é certo. O que usei, ainda hoje está manchado de sangue e marcado com a mesma marca que tenho aqui na cabeça."



 
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